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Segunda, 15 Julho 2019
Sá Pinto: «Dizem que estão na final mas nós somos o Sporting» PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Quinta, 19 Abril 2012 17:35
120419_capa_ojogoSá Pinto está avisado... mas também deixou avisos, fazendo lembrar a história passada há duas eliminatórias desta Liga Europa, ante o favorito Manchester City. O técnico defende que há muito, muito mais que Llorente num Atlético de Bilbau reconhecidamente temível, mas em casa do Sporting mora muita preparação, fé, humildade... e orgulho.

De todas as equipas que o Sporting já enfrentou nesta Liga Europa, o Atlético de Bilbau é a mais devastadora, especialmente fora de casa, bastando para isso ver os seus resultados perante Manchester United e Schalke. Esse aspeto em particular foi alvo do vosso trabalho?



Todas as equipas são preparadas ao pormenor, pois todas têm a sua identidade e forma de abordar o jogo. Não são todas iguais, mas a nossa dedicação na preparação e observação é a mesma. É verdade que este Bilbau é fortíssimo, mas não só fora de casa. Nos dois últimos jogos fora, conseguiu resultados positivos, acabando por ganhar e temos de ter isso em atenção, nunca esquecendo tratar-se de uma eliminatória a duas mãos. Temos de ter atenção a todos os pormenores e situações positivas do adversário, todas as suas qualidades e onde eles nos podem desequilibrar.

Fernando Llorente deixou-lhe grandes elogios, dizendo que Sá Pinto é um bom treinador, com futuro. É deste jogador que vem o grande perigo do Bilbau?

É um dos. Llorente tem como principal ação finalizar. É um concretizador nato. Alem disso, é experiente, esperto a movimentar-se na procura de espaços. Em duas oportunidades, finaliza uma. É a grande referência, mas depois há Muniain, Susaeta, De Marcos e o próprio Ander Herrera salta em zonas de finalização. O Atlético faz chegar os laterais as zonas de finalização. Falo de Aurtenetxe e Iraola. Têm grande equipa. Privilegiam o ataque, ao qual chegam de forma vertical e rápida, com seis, sete jogadores envolvidos, com Ekiza e Iturraspe a darem equilíbrio. Llorente tem grande qualidade, em saída de bola longa, com segundas bolas a chegarem aos médios que apoiam. A equipa tem criatividade, é agressiva com bola e impõe um ritmo muito alto ao longo do jogo.

Quem é o favorito na eliminatória e quais os argumentos do Sporting?

Quando leio a Imprensa, vejo que o Atlético é a superequipa, a equipa que já está na final. Há que respeitar as opiniões. Quanto aos nossos argumentos, a nossa forma de viver cada partida é dar a importância e a responsabilidade subjacentes. É confiar nas nossas capacidades e qualidades, manter uma identidade competitiva, de atitude forte sobre o jogo, sobre a bola e nos duelos. Vamos ter muitos amanhã. Não perdemos a nossa identidade; criámo-la e estamos muito orgulhosos dela. Não tememos ninguém. Somos o Sporting, com 106 anos de história, com carreira de respeito na Europa. Mas somos humildes, sérios e não menosprezamos ninguém. Vamos lutar até ao final!

Já realçou os pontos mais fortes do Bilbau. Quais os fracos?

É uma equipa que chegou por mérito próprio às meias-finais da competição. É equilibrada em todos os momentos do jogo. Privilegia a organização ofensiva, como mencionei, em termos da sua mobilidade e qualidade técnica e verticalidade no jogo coletivo e na transição defensiva. Quando perdem a posse de bola, recuperam o mais rápido possível. Vive a sua identidade do seu coletivo, do ritmo que impõe, como já disse. Parece que nunca está cansada. A equipa está sempre frenética, não consegue nem quer pausar o ritmo e impõe o seu jogo perante qualquer adversário. Estamos perante um Bilbau que pela sua formação na cultura basca, pela sua capacidade de trabalho, juntou uma identidade de jogo, uma grande qualidade. São fortes e temos de os respeitar ao máximo para não sermos surpreendidos e podermos passar à final.

"É um Barcelona B ou C e Bielsa é técnico de topo"

Sá Pinto é profundo conhecedor da cultura basca, tendo atuado no rival do Atlético, a Real Sociedad, conhece a mística do adversário e é admirador do seu homólogo, Marcelo Bielsa, que vê como um dos melhores treinadores da liga do país vizinho, mencionando-o a par de José Mourinho e Pep Guardiola. "A cultura basca passa por entrega, disponibilidade física e mental para jogar, para lutar. Bielsa deu a tal identidade de jogo. Eles são como o Barcelona, mais B ou C. Estão perto desse nível. A construção desde trás, em apoio, do Atlético de Bilbau é notável, mas sabem jogar largo, diagonal e verticalmente. Mesmo que pressionados, gostam de sair apoiados em Iturraspe no jogo interior e no exterior por Susaeta. Identifico-me com as suas ideias de jogo. Espanha tem Mourinho, Pep e Bielsa, três dos melhores técnicos do mundo. Tem experiência, resultados e criou uma identidade de jogo no Bilbau", disse o treinador do Sporting, um ex-jogador que reconhece as diferenças: "É um jogo diferente do meu tempo."

 

"Só tive resultados positivos com Bilbau"

 

O registo de Sá Pinto frente ao adversário de hoje, quando envergava a camisola da Real Sociedad, também não passa despercebido, até porque é de boa memória.

Tem boas lembranças de quando jogava na Real Sociedad, especialmente dos dérbis bascos contra o Atlético de Bilbau?

Sim. Uma coisa que me impressionou foi o ambiente no primeiro dérbi. As pessoas vão ao jogo em festa; claro que cada uma quer que a sua equipa ganhe. Isso ficou-me na memória: os estádios estavam sempre cheio, fosse no Anoeta ou em San Mamés, com as pessoas lado a lado, cada uma com a sua cor. Era um dérbi vivido de forma civilizada e marcou-me muito desportivamente. Tive mais resultados positivos, pois ganhei dois e empatei dois. Espero que esta série com o Atlético continue. O povo basco recebeu-me bem e, agora, a vida colocou-me novamente frente a uma equipa da região... mas não é a Real Sociedad.

Saiu na Imprensa espanhola uma foto sua com um chapéu típico basco, ao lado de Kovacevic, a comemorar um triunfo sobre o Atlético. Como surgiu essa brincadeira?

[risos] Eu e Darko Kovacevic combinámos que quem marcasse ia pôr o chapéu. Tive a felicidade de fazer um golo e usei o chapéu por respeito aos bascos, que me respeitaram também muito, a mim e à minha família.

Na época passada, a Liga Europa teve três equipas nacionais nas "meias" e agora apresenta três espanholas e uma portuguesa. Há aqui uma responsabilidade do Sporting de defender o nosso futebol?

Para alguns, são três espanholas e uma portuguesa; para outros, são duas espanholas, uma basca e uma portuguesa. A nossa responsabilidade primeira é para com a nossa equipa, o nosso clube, os nossos adeptos e a nossa ambição; isso é fundamental para nos envolvermos. Temos de dar o máximo perante o que é preparado. Nenhum dos outros fatores nos poderá criar responsabilidade acrescida. O fator motivacional será sempre o mesmo e nunca muda, seja qual for a prova. A forma como assumimos o compromisso com o próximo jogo será sempre igual. Sabemos que só nós representamos Portugal na Europa e temos esse orgulho. Podemos e queremos ir mais longe, mas, repito, primeiro queremo-lo para esta estrutura, para o clube e seus adeptos e, claro, desportivamente há depois o impacto muito positivo para Portugal. Tudo iremos fazer para continuarmos a sonhar.

 

À margem da polémica com Cristóvão

 

O caso Pereira Cristóvão, que tem concentrado as atenções dos média e do universo leonino ao longo da última semana, não vai, segundo Ricardo Sá Pinto, ter impacto algum no desempenho da equipa. Para o técnico, o grupo sabe filtrar a informação e dirigir o foco para o importante compromisso de hoje. "A nossa equipa está totalmente concentrada, envolvida e focada neste grande jogo que vamos ter amanhã [hoje]. Todos os fatores que possam ser adversos, a equipa sabe filtrar e ultrapassar, dando-lhes a importância que deve dar. Como tenho dito, a nossa equipa não se desvia um só centímetro do objetivo pretendido enquanto equipa profissional do Sporting. Estamos completamente concentrados no jogo de amanhã [hoje]", disse o treinador do Sporting quando diretamente questionado sobre esta matéria.

 

Sempre recordado pelos bascos

 

Ricardo Sá Pinto deixou saudades na sua passagem pela Real Sociedad, que representou depois da primeira passagem pelo Sporting. Ontem, no Auditório Joaquim Agostinho, em Alvalade, foi fácil de perceber como os bascos o recordam, a começar pelos profissionais da comunicação social. O ex-jogador e atual treinador principal dos leões demorou-se à conversa com alguns jornalistas visitantes, e nem a pressão do jogo o fez perder a simpatia e a boa disposição.

 

Indicações à intérprete nas respostas longas

 

Como é habitual em embates de carácter europeu, a conferência de Imprensa de ontem compreendeu a presença de uma intérprete. Entre o espanhol e o português, após algumas respostas do treinador do Sporting, a profissional de línguas deixou escapar alguns pormenores das longas respostas de Sá Pinto. Durante a execução da tradução, em tom simpático, o líder da equipa leonina não se inibiu de interromper para melhor fazer passar integralmente a sua mensagem, ele que tão bem conhece o idioma castelhano, o mais utilizado no país vizinho.

 

In ojogo.pt



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