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Sexta, 19 Julho 2019
Blog "O cantinho de Morais" : (agora sim) O SPORTING está de volta! PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Sábado, 21 Abril 2012 22:54
120421_andre_martins"Sá Pinto é o treinador ideal para o Sporting. Eu acho que nem os sportinguistas têm a noção da sorte grande que lhes saiu." - José Dominguez, in ABOLA, 15.02.2012.
Nas minhas primeiras análises ao trabalho de Sá Pinto (não neste espaço, mas em outros blogs leoninos onde se debate, a sério, o presente e futuro do nosso clube), e sempre tendo em conta as fortes condicionantes que limitavam o seu sucesso (fragilidade psicológica do grupo de trabalho; necessidade de vitórias e pontos; muitos lesionados; equipa e adeptos descrentes;), lembro-me de dizer que Sá Pinto seria um treinador melhor (e, nós, uma equipa melhor) no dia em que descobrisse o André Martins.
No entanto, quem viu a forma como Sá o utilizou na Ucrânia e contra o Athletic Bilbao percebe que ele já sabia o "ouro" que tinha ali, não necessitando que nenhum "sócio de bancada" o informasse o que, para si, era mais que óbvio.
Não fiquei encantado com o jogo do André Martins. Ele já nos tinha demonstrado que não é um excelente jogador. Ele é, simplesmente, Futebol. Em Alvalade, a minha arrogância veio, novamente, ao de cima, quando este miúdo conduzia a bola, pelo corredor central, com Wolfs e Pereira a acompanhá-lo. Ao meu lado direito, um colega de bancada (que eu não conhecia de lado nenhum), já em pé, gritava, aos primeiros metros de progressão do André, "dá a bola, dá a bola, ca#$%#$#!!" Eu, sem me levantar, toquei-lhe no braço e, calmamente, disse "tenha calma, com aquele estamos tranquilos, ele vai decidir bem". O senhor sentou-se (já com o remate de Pereira na malha lateral) e disse "é verdade, ele fez bem". Porra!! Mas que autoridade tenho eu, para me armar em iluminado e tentar gerir a emoção de alguém que queria que aquela bola entrasse na baliza (tanto ou mais que eu)? Não tenho esse direito.
A culpa é tua André. A culpa é do teu futebol com "mais de 100 anos". Parece que já andas nisto há muitos anos e nunca te cansas desta vida. Transmites calma, segurança e maturidade em todos os movimentos que fazes no campo. Mas só tens 22 anos!! O teu primeiro toque, aquele que pode definir uma jogada, aquele toque que tira o primeiro adversário e permite-te executar a fase seguinte (não digo pensar, porque isso já tu fizeste antes de receber a bola) só está ao alcance dos maiores. Ontem, quando te posicionaste para recuperar aquela bola que dá origem ao cruzamento de Capel (o golo de Insua), fizeste-me lembrar o Lucho González, que é rei nessa arte de saber onde o jogo se vai desenrolar (e por isso é que chega sempre primeiro).
Na quinta-feira, a primeira parte foi tua (e do Carriço) e, na Ucrânia, só respirámos porque tu estavas lá dentro, imune aos bloqueios que Izmailov e Matías, inexplicavelmente, sofreram.
Não sei quanto tempo te teremos por cá. Mas és, mais uma prova, que o futuro está em Alcochete, sendo seguro que se forma e cresce sobre requisitos fundamentais, levando a que alguns se tornem nos melhores do Mundo.
“A primeira coisa para onde olhamos é para o talento que estes jogadores têm, para a sua técnica. É isso que é importante nesta idade. Eles são novos e ainda estão a crescer, por isso a constituição física não é importante. É unicamente a técnica. É a primeira coisa para onde olhamos." - Guardiola, anúncio da Nike, 2.3.2012.
Mas na quinta-feira não houve só André Martins. Houve muito mais. Houve uma Equipa. Houve um Carriço enorme. Um Carriço que uniu espaços entre a defesa e meio-campo, encurtou espaços para a criatividade basca, fez bloqueios e foi um verdadeiro Capitão (sem braçadeira). Quando foi substituído, com 0-1, virou-se para a equipa e ergueu os braços ao alto, acreditando e puxando pelos seus. Acordou-me. Eu que, nessa altura, estava subjugado à sorte basca e à pressão que, finalmente, nos estavam a impor. Esse é dos grandes momentos. A crença transmitida por Carriço.
Capel, Insua, Pereira, Xandão (que surpresa!) e Schaars (muito medo em ter a bola, mas excelente nas coberturas a Insua), não tenho linhas para todos eles. Desculpem.
As substituições de Sá Pinto. Sem medo. Jogadores de 18, 19 e 24 para virar um jogo e lutar por uma eliminatória.  O meio-campo só com Izmailov e Schaars.  Os grandes treinadores fazem isso. Arriscam e confiam no seu trabalho e plantel.
Mas o futebol não se ganha com juventude, capacidade física e irreverência. O futebol é experiência e múltiplas vivências de emoções (frustrações e, também, vitórias). E, se o Sporting venceu graças a todos os que mencionei, venceu porque dois senhores se mantiveram serenos e puxaram a si a responsabilidade que os outros, ainda, não podem carregar. Polga e Izmailov. Se o primeiro não tremeu na defesa, aguentando as investidas bascas, o segundo carregou a equipa, perdida, rumo à merecida glória.
Vindo para o meio, Izmailov arranjou os espaços que começavam a faltar, chamou as atenções para si, para que os colegas se voltassem a soltar e a subir no terreno. A jogada do 2º golo, em que só faltou chutar pelo Capel, é demonstrativa da sua classe e importância nesta equipa. O futebol tem de se sentir grato por Izmailov ser seu praticante.
Uma última referência para Wolfswinkel. São poucos os grandes avançados com apenas 23 anos e a cumprir, pela primeira vez, uma época nos grandes palcos europeus. Todos levámos as mãos à cabeça nos lances onde foste infeliz. Mas, no fundo, ninguém pode negar a importância que tens (e tens tido) para nós. O mérito é teu e os teus números, esta época, são elucidativos da tua qualidade. Mas, felizmente, não te resumes aos golos. E ver-te a obrigar os centrais contrários a sair a jogar é a certeza que a defesa da nossa baliza começa, e bem, ali, contigo. Apareceste nos principais momentos desta época (Paços de Ferreira, Belenenses, City, Metalist e Benfica). Por isso, sei que ainda tens algo guardado para nós.
Durante os mais de 20 anos de futebol em Alvalade, foram poucos os jogos em jogámos tão bem como na quinta-feira. O bilhete ficará guardado, juntamente com o do Inter (1991), Celtic (1993), Real Madrid (1994), Mónaco (1997) e Milan (2001).
In http://cantinhodomorais.blogspot.pt/2012/04/agora-sim-o-sporting-esta-de-volta.html
"Sá Pinto é o treinador ideal para o Sporting. Eu acho que nem os sportinguistas têm a noção da sorte grande que lhes saiu." - José Dominguez, in ABOLA, 15.02.2012.
Nas minhas primeiras análises ao trabalho de Sá Pinto (não neste espaço, mas em outros blogs leoninos onde se debate, a sério, o presente e futuro do nosso clube), e sempre tendo em conta as fortes condicionantes que limitavam o seu sucesso (fragilidade psicológica do grupo de trabalho; necessidade de vitórias e pontos; muitos lesionados; equipa e adeptos descrentes;), lembro-me de dizer que Sá Pinto seria um treinador melhor (e, nós, uma equipa melhor) no dia em que descobrisse o André Martins.
No entanto, quem viu a forma como Sá o utilizou na Ucrânia e contra o Athletic Bilbao percebe que ele já sabia o "ouro" que tinha ali, não necessitando que nenhum "sócio de bancada" o informasse o que, para si, era mais que óbvio.
Não fiquei encantado com o jogo do André Martins. Ele já nos tinha demonstrado que não é um excelente jogador. Ele é, simplesmente, Futebol. Em Alvalade, a minha arrogância veio, novamente, ao de cima, quando este miúdo conduzia a bola, pelo corredor central, com Wolfs e Pereira a acompanhá-lo. Ao meu lado direito, um colega de bancada (que eu não conhecia de lado nenhum), já em pé, gritava, aos primeiros metros de progressão do André, "dá a bola, dá a bola, ca#$%#$#!!" Eu, sem me levantar, toquei-lhe no braço e, calmamente, disse "tenha calma, com aquele estamos tranquilos, ele vai decidir bem". O senhor sentou-se (já com o remate de Pereira na malha lateral) e disse "é verdade, ele fez bem". Porra!! Mas que autoridade tenho eu, para me armar em iluminado e tentar gerir a emoção de alguém que queria que aquela bola entrasse na baliza (tanto ou mais que eu)? Não tenho esse direito.
A culpa é tua André. A culpa é do teu futebol com "mais de 100 anos". Parece que já andas nisto há muitos anos e nunca te cansas desta vida. Transmites calma, segurança e maturidade em todos os movimentos que fazes no campo. Mas só tens 22 anos!! O teu primeiro toque, aquele que pode definir uma jogada, aquele toque que tira o primeiro adversário e permite-te executar a fase seguinte (não digo pensar, porque isso já tu fizeste antes de receber a bola) só está ao alcance dos maiores. Ontem, quando te posicionaste para recuperar aquela bola que dá origem ao cruzamento de Capel (o golo de Insua), fizeste-me lembrar o Lucho González, que é rei nessa arte de saber onde o jogo se vai desenrolar (e por isso é que chega sempre primeiro). 
Na quinta-feira, a primeira parte foi tua (e do Carriço) e, na Ucrânia, só respirámos porque tu estavas lá dentro, imune aos bloqueios que Izmailov e Matías, inexplicavelmente, sofreram.
Não sei quanto tempo te teremos por cá. Mas és, mais uma prova, que o futuro está em Alcochete, sendo seguro que se forma e cresce sobre requisitos fundamentais, levando a que alguns se tornem nos melhores do Mundo.
“A primeira coisa para onde olhamos é para o talento que estes jogadores têm, para a sua técnica. É isso que é importante nesta idade. Eles são novos e ainda estão a crescer, por isso a constituição física não é importante. É unicamente a técnica. É a primeira coisa para onde olhamos." - Guardiola, anúncio da Nike, 2.3.2012.


Mas na quinta-feira não houve só André Martins. Houve muito mais. Houve uma Equipa. Houve um Carriço enorme. Um Carriço que uniu espaços entre a defesa e meio-campo, encurtou espaços para a criatividade basca, fez bloqueios e foi um verdadeiro Capitão (sem braçadeira). Quando foi substituído, com 0-1, virou-se para a equipa e ergueu os braços ao alto, acreditando e puxando pelos seus. Acordou-me. Eu que, nessa altura, estava subjugado à sorte basca e à pressão que, finalmente, nos estavam a impor. Esse é dos grandes momentos. A crença transmitida por Carriço.
Capel, Insua, Pereira, Xandão (que surpresa!) e Schaars (muito medo em ter a bola, mas excelente nas coberturas a Insua), não tenho linhas para todos eles. Desculpem.
As substituições de Sá Pinto. Sem medo. Jogadores de 18, 19 e 24 para virar um jogo e lutar por uma eliminatória.  O meio-campo só com Izmailov e Schaars.  Os grandes treinadores fazem isso. Arriscam e confiam no seu trabalho e plantel. 


Mas o futebol não se ganha com juventude, capacidade física e irreverência. O futebol é experiência e múltiplas vivências de emoções (frustrações e, também, vitórias). E, se o Sporting venceu graças a todos os que mencionei, venceu porque dois senhores se mantiveram serenos e puxaram a si a responsabilidade que os outros, ainda, não podem carregar. Polga e Izmailov. Se o primeiro não tremeu na defesa, aguentando as investidas bascas, o segundo carregou a equipa, perdida, rumo à merecida glória.
Vindo para o meio, Izmailov arranjou os espaços que começavam a faltar, chamou as atenções para si, para que os colegas se voltassem a soltar e a subir no terreno. A jogada do 2º golo, em que só faltou chutar pelo Capel, é demonstrativa da sua classe e importância nesta equipa. O futebol tem de se sentir grato por Izmailov ser seu praticante.
Uma última referência para Wolfswinkel. São poucos os grandes avançados com apenas 23 anos e a cumprir, pela primeira vez, uma época nos grandes palcos europeus. Todos levámos as mãos à cabeça nos lances onde foste infeliz. Mas, no fundo, ninguém pode negar a importância que tens (e tens tido) para nós. O mérito é teu e os teus números, esta época, são elucidativos da tua qualidade. Mas, felizmente, não te resumes aos golos. E ver-te a obrigar os centrais contrários a sair a jogar é a certeza que a defesa da nossa baliza começa, e bem, ali, contigo. Apareceste nos principais momentos desta época (Paços de Ferreira, Belenenses, City, Metalist e Benfica). Por isso, sei que ainda tens algo guardado para nós.
Durante os mais de 20 anos de futebol em Alvalade, foram poucos os jogos em jogámos tão bem como na quinta-feira. O bilhete ficará guardado, juntamente com o do Inter (1991), Celtic (1993), Real Madrid (1994), Mónaco (1997) e Milan (2001).


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